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05/08/2016 07:06 em Destaque

 

Às 20h desta sexta-feira, o espetáculo de abertura inicia a Olimpíada

A festa terá desde representações de ondas, de tribos indígenas a até Paulinho da Viola, voz e violão, tocando o Hino Nacional



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Fogos de artifício prometem emocionar o público presente no Maracanã (Foto: Getty Images/Buda Mendes)

RIO - O espetáculo começa com o piso do estádio sendo transformado em ondas. Bailarinos surgem puxando grandes insetos em uma floresta, numa referência ao Brasil pré-colonial. Na sequência, um grupo de 72 dançarinos dos boi-bumbás Caprichoso e Garantido, de Parintins, na Amazônia, representarão as tribos indígenas. Seguem-se a eles as caravelas, os colonizadores portugueses e os escravos africanos — dando o tom geral do espetáculo, muito mais narrativo do que coreografado. É quando entra Paulinho da Viola, voz e violão, tocando o Hino Nacional.

Quem viu os ensaios garante: a cerimônia de abertura dos Jogos do Rio terá muito menos coreografia, e muito mais narrativa e tecnologia, mas não de forma gratuita. E acrescenta: há pelo menos dois momentos em que vai ser difícil segurar as lágrimas. Num deles, logo no início, a tradicional contagem regressiva para a abertura dos Jogos será feita de forma inusitada, com projeções de luzes de 106 spots que darão a ilusão de que todo o espaço está em 3D, criando desenhos sobre o estádio.



Outro momento emocionante é quando uma favela se ergue no palco, formada por blocos em forma de mosaico que vão se revezando, como se a favela não parasse de crescer. A alegoria terá 128m de largura por 63m de comprimento.

— Não tem aquele jeitão de escola de samba, não, não são carros alegóricos. O que eu acho até curioso, porque esta é uma linguagem nossa, deveríamos nos apropriar dela. Nós já fazemos o maior espetáculo da Terra, afinal — comentou uma das voluntárias, também respeitando o contrato de confidencialidade da cerimônia.

Mas claro que as referências às manifestações musicais tipicamente brasileiras, como maracatus, bate-bolas e escolas de samba não ficariam de fora do espetáculo. A diferença é que as agremiações entrarão em tons pasteis, surpreendendo o público, acostumado a vê-las multicoloridas. É quando entra uma bicicletinha puxando toda a delegação brasileira, para delírio da plateia. A modelo transexual Lea T será um dos destaques da festa, vindo à frente da delegação brasileira. Na sequência, cada delegação estrangeira será precedida por uma pequena bateria de escola de samba. Nesse desfile, haverá ainda surpresas das escolas de samba, com a participação de integrantes das agremiações, como passistas e musas.

— O público também fará parte ativamente do espetáculo. Serão distribuídos almofadões metálicos, que fazem barulho ao tocar, e muita gente não faz ideia, mas é feito de papel de biscoito, tipo embalagem de biscoito Maisena, sabe? — contou um dos responsáveis pelo cenário, que inclui ainda 500 quilos de confete cenográfico.

Das cerca de 50 músicas que farão parte da trilha sonora, haverá releituras de clássicos, como “Do Leme ao Pontal”, de Tim Maia, “Aquele abraço”, de Gilberto Gil, e “Rap da Felicidade”, de Cidinho e Doca. “Garota de Ipanema” será tocada ao piano por um músico representando Tom Jobim. Elza Soares cantará “Canto de Ossanha” e Jorge Ben, “País Tropical”. Haverá um grande coro, a capela, e Zeca Pagodinho cantando “Deixa a vida me levar”.

Entre algumas apresentações, serão lidos textos nas vozes das atrizes Fernanda Montenegro e Judi Dench, com versos do poeta Carlos Drummond de Andrade, relacionados aos três eixos da cerimônia: a natureza, o brasileiro e a inventividade. Outro momento impactante é o desfile da modelo Gisele Bundchen, cuja passagem polêmica foi definitivamente tirada da abertura, e o vídeo dirigido pelo cineasta Fernando Meirelles, que segundo alguns bailarinos que conseguiram ver o material, subverte muitos clichês brasileiros, trazendo novos pontos de vista sobre a realidade miserável do país.

— Por mais que já se saiba que vai acontecer, o voo do 14-bis sobre o público também é muito surpreendente, ao final. E há um trecho, muito específico, que nem nós que fazemos parte do elenco sabemos o que vai contecer, ao final. Estou curiosíssima — contou uma malabarista de 19 anos, também integrante do elenco.

A cerimônia de abertura também fará uma provocação: os atletas serão convidados a contribuir com o plantio de uma nova área verde no Rio de Janeiro. A Floresta dos Atletas, no Parque Radical, em Deodoro, será criada com mais de 10 mil mudas de 207 espécies nativas do país, cada espécie representando uma delegação. Ao entrar no estádio, cada atleta receberá a semente de uma árvore e a plantará em um tubete com terra.



FONTE: JORNAL O GLOBO

 

 

 

 

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